
Subindo a escada estreita do Pináculo Dourado, chega-se a um andar que parece pertencer a outro reino.
Subindo a escada estreita do Pináculo Dourado, chega-se a um andar que parece pertencer a outro reino. O ar quente e pútrido da forja contrasta com a frescura da loja lá embaixo — é aqui que se trabalha o metal, que se selam encantamentos, que se enxertam maldições em lâminas dispostas a recebê-las. Os bancos de espera próximos ao balcão recebem clientes pacientes; a área de entrega, encantada, separa os pedidos pelo nome.
Atrás do balcão, a forja propriamente dita é um ambiente escuro — a única fonte de luz são as chamas ardentes do fogo eterno, refletindo nas armaduras de quem ali trabalha. Sobre as paredes correm encantamentos próprios da forjadora, em linguagem que poucos reconhecem; sobre a bancada, protótipos de armas e livros pesados de receitas. A bigorna, do tamanho perfeito para uma pessoa deitar-se, lembra que aqui qualquer coisa pode ser forjada — inclusive seres.
É um lugar onde o aço se torna extensão do corpo, onde as Âncoras vêm pedir aprimoramento de suas lâminas vivas, e onde os pedidos mais inusitados são, frequentemente, os que mais interessam à artesã. Eu posso encantar você...
Ecos canônicos. Foi sobre esta bigorna que Beatrice D. Soving — a Âncora cega cujo braço esquerdo carrega uma lâmina viva fixada na própria carne — deitou-se para que Eaphia Excalibur a tratasse como equipamento e não como Âncora, banhando a garra em sangue para remoldá-la sob o martelo. "Não se preocupe comigo," respondeu Beatrice ao aviso de dor, "você fará um favor tão grande que qualquer dor e qualquer preço não poderiam mostrar toda minha gratificação."