
Nas Florestas de Fractária, escondido entre as árvores cinzentas que circundam a capital, há um bosque que parece tirar dos visitantes algo mais precioso do que sangue.
Nas Florestas de Fractária, escondido entre as árvores cinzentas que circundam a capital, há um bosque que parece tirar dos visitantes algo mais precioso do que sangue. A cada passo dado, uma brisa doce arrepia o corpo do caminhante. As árvores sussurram coisas que a mente rapidamente esquece por completo — e a sensação que se instala é a de que, a cada novo passo, uma memória importante desaparece para sempre.
Os mais velhos do reino chamam-no de Bosque do Esquecimento. Os mais novos, que ainda não esqueceram dos mais velhos, tentam evitar. Quem entra costuma sair sem saber o motivo pelo qual entrou. Quem fica tempo demais... costuma esquecer-se de que estava se esquecendo, e segue despreocupado enquanto as memórias se deterioram em silêncio.
Há quem afirme que cogumelos raros nascem entre as raízes — venenosos, mas valiosos. Há quem peregrine atrás deles em busca de bolsos gordos, sem perceber que cada cogumelo colhido custa um nome próprio, um rosto amado, um juramento antigo. A brisa doce sempre cobra. A floresta sempre esquece quem você foi. ... e quem é que poderia se queixar do que já não lembra?
Ecos canônicos. Foi por este bosque que Mar'l Hang — o infame aventureiro de cabelos dourados, confiança e coragem inabaláveis — liderou uma expedição em busca dos cogumelos venenosos que vendiam por bolsos gordos. Kayser La Vise, o encapuzado de essência inflamada, acompanhava-o e murmurou com voz melancólica que não gostava daquele lugar. Helióot Wylians Eduwardt caminhava sem rumo, cérebro desligado, esquecendo-se de que estava se esquecendo.