
No centro de Fractária, onde a Deusa Luminosa Anshatar desce uma vez a cada sétima lua para consolar seus filhos sobreviventes, ergue-se a sua capela.
No centro de Fractária, onde a Deusa Luminosa Anshatar desce uma vez a cada sétima lua para consolar seus filhos sobreviventes, ergue-se a sua capela. Os bancos de madeira escura conhecem o peso de gerações de fiéis Primavérios; o altar, simples e silencioso, guarda o eco das súplicas dos que ainda creem que a Mãe Suprema responde.
As vitrais filtram a luz como se a peneirassem da impureza do Outono. As estatuetas dos Filhos do Rei — Solarium, Freja, Setíferus, e a própria Anshatar — vigiam dos nichos, talhadas em pedra clara, esperando reverência. É um lugar onde a Praga da Paz não alcança e onde, em teoria, nenhuma violência pode ser praticada. Em teoria.
Mas a capela conhece também a profanação. Conhece o mestiço amaldiçoado pela morte que entrou aqui um dia, exausto de um duelo contra o próprio irmão, e usou as palavras da Deusa para narrar a Deusa como uma criança arrogante que devorou o próprio pai. O sagrado tornou-se profano, assim como as raízes da árvore espiritual...
Ecos canônicos. Foi entre estes bancos que Lorian Cittagon — o Filho da Serpente, o vilão que o mundo precisa — passou três dias narrando a verdadeira história dos Deuses Luminosos para a Mestiça Khaleesi Mourgram, enquanto estatuetas de gelo de Solarium, Freja, Setíferus e da própria Anshatar dançavam ao redor de sua mão. "Os Deuses não existem, são meros mortais arrogantes que devoraram seu próprio pai para brincarem de governar. É por isso que um por um eu os destruirei." Foi aqui, no altar da Mãe Suprema, que a doutrina do deicídio foi pregada pela primeira vez.