
No silêncio da noite e do pouco movimento nas ruas de terra do Vilarejo da Perdição Espinhosa, encontra-se uma loja de armas e armaduras com as luzes ainda acesas e um discreto cheiro de ervas escapando de dentro.
No silêncio da noite e do pouco movimento nas ruas de terra do Vilarejo da Perdição Espinhosa, encontra-se uma loja de armas e armaduras com as luzes ainda acesas e um discreto cheiro de ervas escapando de dentro. Por fora, a Ferraria Dente de Cravo assemelha-se a uma casa rústica de Briarwatch — apenas alguns avisos pregados na entrada indicam que ali se forjam e se vendem lâminas.
Ao adentrá-la, depara-se com inúmeras armas de propósitos distintos apoiadas nas paredes: machados, clavas, espadas. O ambiente tem aura calma, todavia esbanja um clima solitário e de certa forma sufocante, já que o que mais se destaca ali é a presença dos diferentes tipos de metais moldados em forma de lâminas ou escudos, servindo de amostra para os interessados. Há um balcão ao lado da porta com um pequeno sino e uma placa escrita à mão: "por favor, só tocar o sino caso o atendente não estiver em seu posto."
Nos fundos do estabelecimento fica a sala da forja — escura, com uma janela sempre fechada, um conjunto de equipamentos e ferramentas, e uma figura laranja e escaldante sendo moldada pelo martelo quente e gasto do ferreiro. Aqui, em meio aos murmúrios de Briarwatch, alguém ainda acredita que tudo e qualquer coisa pode se tornar uma arma — e que a mais valiosa do mundo é aquele que a empunha.
Ecos canônicos. Foi aqui que Mordred Blackspoth Von Kar — o jovem ferreiro recém-instalado em Briarwatch, dependente ainda do dinheiro do pai — recebeu Askrasiel Azvameth, da Asa do Corvo, encapuzado e portador de uma aura sombria, que encomendou uma manopla afim com escuridão. "Trato feito", selou Mordred — "se você não gostar do resultado, não precisará pagar nada. Mas se gostar, terá que me pagar à vista." A parceria inaugurou uma das poucas oficinas-de-fé-no-trabalho do reino dos espinhos.