
Há quem entre em Vanisser esperando encontrar floresta.
Há quem entre em Vanisser esperando encontrar floresta. Encontra névoa. A Floresta dos Sussurros Perdidos não se apresenta como bosque — apresenta-se como ausência que vestiu árvores retorcidas para parecer lugar. Os galhos prendem o vento, e o vento, ali, perdeu o costume de soprar para fora.
Diz-se que as entidades sombrias que habitam esse domínio espreitam sem temor, porque sabem que ninguém saiu daqui sem permissão delas. O julgamento é incerto — e é justamente a incerteza que corrói. Não se vê o que sussurra. Apenas se ouve... e o que se ouve já vem com o próprio nome de quem escuta, pronunciado em uma voz familiar demais para ser segura.
Os mais antigos viajantes do Outono contam que esta floresta é um labirinto sem fim, um emaranhado em que vida e morte dançam num passo desconjuntado. Tropeça-se em raízes que talvez sejam raízes. Esbarra-se em silhuetas que talvez já tenham sido alguém. E os sussurros — sempre os sussurros — tentam interagir com quem caminha, oferecendo respostas a perguntas que ainda não foram feitas.
Quem aceita a tentação, perde a alma antes de perder o caminho. Quem recusa, perde o caminho — e descobre, tarde demais, que era a alma o caminho.
Ecos canônicos. Ainda não há ecos registrados neste local. O que aqui vier a acontecer será o primeiro.