
No subúrbio do que restou da tão estimada Fractária, situa-se a maior concentração de barbaridades e tráficos do galho — o Mercado Negro.
No subúrbio do que restou da tão estimada Fractária, situa-se a maior concentração de barbaridades e tráficos do galho — o Mercado Negro. Onde a venda de órgãos pessoais é nada, pois os produtos podem ser piores. Tudo isso sob a tutela de um só homem, extremamente influente e calculista — muitos o chamam de Dragão Vermelho.
A noite gelada e sem lei é só mais uma para os seres de Ansenfall. Lampiões de óleo iluminam mal os corredores entre barracas e jaulas cobertas por panos sujos. Negociantes anunciam mestiços como mero gado; bruxas vendem maldições embaladas como remédios; cavaleiros caídos compram artefatos amaldiçoados a preço de carne podre. A luz da Capela de Anshatar não chega aqui — e mesmo se chegasse, ninguém abriria a porta.
É a face suja da fortaleza construída sobre o túmulo de Lesmos. A Praga da Paz que protege o palácio não atravessa estes corredores — quem entra no Mercado Negro entra por conta própria, e quem sai costuma sair devendo. Mais uma peça para a jaula — sussurram os traficantes ao apresentar outro capturado ao homem da armadura enorme, cujos olhos vermelhos transbordam das fendas do elmo.
Ecos canônicos. Foi para aqui que Alystar Van. Tormen — o Dragão Vermelho — recebeu os mercadores que lhe entregavam mestiços em jaulas, oferecendo silenciosamente o pagamento antes de calar os entregadores com golpes que duraram dez minutos de pancadas, ossos quebrados e tosses de agonia. "O ouro, em si mesmo um bem tão inútil, goza de tamanha estima em toda parte" — disse ele, antes que o pano voltasse a cobrir a jaula.