
No coração de Fractária, onde o galho da árvore espiritual ainda guarda a memória de Lesmos sob suas raízes, ergue-se uma estátua que ninguém ousa olhar por muito tempo.
No coração de Fractária, onde o galho da árvore espiritual ainda guarda a memória de Lesmos sob suas raízes, ergue-se uma estátua que ninguém ousa olhar por muito tempo. É a Rainha Decepada — Arietta Blossomwood — esculpida em pedra fria com o braço que perdeu para a Mãe Espinhosa eternamente erguido em vitória, como se ainda agora segurasse a esperança que arrancou dos espinhos durante os trinta meses de cerco.
A praça é o ponto de chegada dos Seres Espirituais recém-nomeados, e também o lugar onde os habitantes vêm para lembrar que houve, sim, um tempo em que a décima terceira dinastia caiu e que, mesmo assim, alguém ergueu uma muralha com um único braço. Mercadores cruzam o piso de paralelepípedos sem desviar o olhar do monumento — sabem que a Decepada vê tudo, e que sob seus pés silenciosos passam tanto os fiéis dos Libertadores de Fractária quanto os mestiços e os assassinos que se misturam à multidão.
Dizem os Primavérios que, em certas noites, quando a sétima lua sobe sobre o palácio, a estátua parece mover o braço ausente — como se ainda procurasse a lâmina que terminou a guerra. Talvez seja apenas o vento entre as torres. Talvez seja a esperança fingindo ainda existir.
Ecos canônicos. Foi diante desta estátua que Eugene Lionheart, nascido do inverno, executou sua dança de esgrima sob o sol da tarde, conquistando o olhar da feiticeira Lilith Clair de Lune e iniciando uma das primeiras amizades a se firmar no coração de Fractária. Os habitantes do reino luminoso aprenderam a chamá-lo de bobo ou artista — sem perceber que era, na verdade, a juventude do galho dançando sobre o túmulo do deus comido.