
A maior iguaria dos arredores de Fractária, dizem os caçadores, é o javali assado da taverna que leva o nome do bicho morto.
A maior iguaria dos arredores de Fractária, dizem os caçadores, é o javali assado da taverna que leva o nome do bicho morto. O cheiro da carne na brasa atravessa as ruas até a Rua Flamejante, e as luzes amareladas das janelas atraem mercenários, Templários desertores, peregrinos sem destino e mestiços que preferem o anonimato da multidão à hostilidade aberta dos becos.
Dentro, o burburinho nunca cessa. O taverneiro serve cerveja em canecas que não ficam vazias por muito tempo — e whisky para quem chegou de longe demais para ainda sentir o sabor. As mesas do centro são para quem quer ser visto; as encostadas à parede, para quem prefere ouvir. Há sempre alguém oferecendo trabalho, alguém propondo um contrato, alguém medindo o outro de canto de olho enquanto finge ler um mapa surrado.
Nenhuma violência ocorre ao redor da festa enquanto os Deuses Luminosos conjuram a aflição da paz. Mas as decisões que matarão um Espírito na próxima semana — essas são tomadas aqui, em sussurros, sob o brilho de uma vela e o ronco de algum bêbado dormindo de cara na mesa.
Ecos canônicos. Foi aqui que o Eco Perdido uma vez ofereceu a salvação de Ahva em troca de redenção — uma oferta jamais aceita, que selou o final ruim do Capítulo da Taverna do Javali Morto. E foi também à mesa central que Darius Ryuu Carsta e Valeria Ravenshade, a bruxa mercenária de pele cinzenta, trocaram as primeiras palavras de uma parceria que se desdobraria por meses de contratos sangrentos.