
Não há nada mais aterrorizante para um espírito do que ver seu próprio reflexo corrompido e seus arrependimentos, verdadeiros ou falsos.
Não há nada mais aterrorizante para um espírito do que ver seu próprio reflexo corrompido e seus arrependimentos, verdadeiros ou falsos. O Vale dos Espelhos, um lugar que já foi próspero e alegre para o povo Invernal, agora é um vale destruído e coberto por uma névoa densa e pesada, suportável apenas pelos Invernais devido às temperaturas extremamente baixas.
Lendas afirmam que aqueles que entram no vale não retornam e as razões são desconhecidas. Talvez seja por causa da névoa gélida ou do que os espíritos veem ao se olharem nos espelhos. Muitos acreditam que os espíritos estão presos nesse lugar, incapazes de sair devido ao peso de seus traumas. Alguns dizem que os espelhos têm o poder de refletir a verdadeira essência do miasma, expondo todos os seus segredos e pecados. Seja qual for a razão, poucos se aventuram a entrar no Vale dos Espelhos, e aqueles que o fazem correm o risco de nunca mais sair.
Ecos canônicos. Foi entre estes espelhos quebrados que Beatrice D. Soving — a Âncora cega-mas-sensorial — ouviu a voz do pai morto invocada por um reflexo sem batimento cardíaco e dilacerou o vidro com a garra-de-miasma. "p-papai?" sussurrou o espelho atrás dela. E foi também aqui que Lorian Cittagon a encontrou — capa arrastando cacos de vidro, cheiro de morte misturado ao cheiro de Âncora — e, ao ouvi-la rezar por esperança mesmo no inferno, quebrou todos os espelhos restantes em uma chuva de cristais mortais. Ela ofereceu-lhe a sentença que pôde: "Você está se afundando em seu próprio purgatório." Lorian retirou-se. "Você foi a primeira que não fingiu... lembrarei disso."