
Freja é a Deusa Luminosa da Lua Glacial, a senhora do Inverno entre os Filhos do Rei que devoraram Lesmos e se ergueram como Deuses Luminosos.
Freja é a Deusa Luminosa da Lua Glacial, a senhora do Inverno entre os Filhos do Rei que devoraram Lesmos e se ergueram como Deuses Luminosos. No reparto das estações que sustentam o equilíbrio da Árvore Espiritual, coube a ela o frio, e o frio, na guerra que veio, foi a única coisa que por uma década segurou o avanço dos espinhosos. Os fiéis a conhecem pela sua estação e pela sua linhagem: a Lua Glacial, e a filha que enviou para morrer e para vencer no lugar dela.
A entrada de Freja na história é a sua ira. Quando a Mãe Espinhosa cravou um espinho no peito de Soria e desencadeou a revolta do Povo dos Espinhos, e quando essa maré implacável começou a engolir aldeia após aldeia e a ameaçar estender-se aos galhos vizinhos, foi a dinastia Frostmoon a primeira a se erguer como bastião contra a tirania. Tomada pela ânsia de vingar a morte de Soria, Freja enviou a própria filha para liderar os seus mais valorosos cavaleiros. Juntos, formaram o lendário exército da Lua Glacial, o tufão invernal invencível que rapidamente se tornou o maior algoz dos espinhosos. A guerra que daí nasceu, batalha após batalha entrelaçando-se num só nome, é a Guerra das Estações, e o seu primeiro grande capítulo, a batalha das Lágrimas Gélidas no Vale dos Ventos, terminou com a Princesa Frostmoon erguendo a espada cristalina sobre os Espinhos em retirada. Pela primeira vez, a Mãe Espinhosa sentiu inquietação.
A força de Freja, porém, tinha um avesso, e foi por esse avesso que Astella a derrotou sem jamais cruzar espadas com ela. A bastarda de Lesmos sussurrou à Mãe Espinhosa a frase que mudaria o rumo da guerra: "Depois de uma década fazendo o inverno perdurar, a Lua Glacial está sem forças e logo irá hibernar, e junto dela, a maioria dos seus Seres Espirituais." O poder da Deusa do Inverno não era inesgotável: mantê-lo aceso por dez anos a exauria, e exaurir Freja era adormecer todo o seu povo de uma só vez. A Mãe Espinhosa entendeu, e esperou. Quando a Lua Glacial, esgotada após uma década de inverno inclemente, sucumbiu à hibernação, a maioria dos Seres Espirituais que dela dependiam caiu também em sono profundo, deixando os territórios expostos. Frostmoon e suas tropas não sabiam que isso era possível.
O que se seguiu foi o Massacre Invernal, e é nele que a tragédia de Freja se consuma. A Mãe Espinhosa ordenou o ataque no exato instante da hibernação e não houve clemência: de crianças a idosos, ninguém deveria sobreviver, e os poucos guerreiros que resistiam ao sono foram rapidamente abatidos. O corpus fixa o momento da queda de Freja com precisão dolorosa: Solarium enviou reforços para as muralhas assim que testemunhou Freja desfalecer no galho celestial, mas as tropas do Verão só chegariam ao amanhecer, e foi tarde demais. A Deusa do Inverno desfaleceu no alto enquanto, embaixo, o seu povo era executado dormindo. As Almas Estivais chegaram apenas para depositar flores sobre os corpos e cantar o lamento que batizaria aquele dia. O sono de Freja foi o instante exato em que o Inverno perdeu a sua gente, jamais um descanso.
Mesmo enfraquecida, Freja permanece bem presente no mundo: é uma das poucas cujo poder ainda toca diretamente os mortais. Um anel entregue pela própria Deusa Luminosa Freja, em símbolo de agradecimento a algum sacrifício circula entre os que a serviram, e há cavaleiros que portam relíquias ancestrais derramadas em mais sangue do que qualquer outro a serviço dela. Mesmo o Templário Kamael Darkborn, que, na sua obsessão por matar a Mãe Espinhosa, conheceu intimamente o frio da Lua Glacial, guarda um anel entregue pela mão da Deusa, e diz-se que chegou a subjugá-la, ainda que temporariamente, naquela hierarquia divina onde nenhum Ser Espiritual de Ansenfall lhe escapa, exceto a sua Princesa e Deusa Freja. A Deusa do Inverno recompensa o sacrifício e cobra a devoção; o seu frio é, a um só tempo, abrigo e julgamento.
E, no entanto, a sua maior obra sobrevive a ela. A Princesa Frostmoon, herdeira do trono Luminoso da Lua Glacial, é hoje a representante espiritual dos Nascidos do Inverno, e o seu corpo adormecido repousa no cristal do Massacre Invernal, para onde todo floco de neve de Gloomhaven sempre se dirige. Da Deusa-mãe ficou o inverno; da filha, a esperança que aprendeu a retornar dos mortos. O que exatamente Freja faz dos galhos celestiais agora, depois de desfalecer e ver o seu povo morto na neve, o corpus não diz, e talvez seja próprio do Inverno que assim seja, guardado sob a neve, à espera do degelo que ainda não veio. A Lua Glacial brilha; mas brilha fria, e sozinha, sobre tudo o que perdeu.