
— Os Filhos Mestiços de Gloomhaven
— Os Filhos Mestiços de Gloomhaven
As cegonhas protetoras da inocência...
"Eis que nascestes como uma aberração, pois és fruto de um amor proibido inconcebível, mas jaz aqui mesmo assim, neste mundo que não há de pensar em te aceitar. Queres viver na miséria para sempre, ou irás se juntar a nós, que apesar de não partilharmos do teu sangue, já te consideramos um eterno irmão, ó mestiço espiritual?" — Devehn, Capitã de Logística e Invasão dos Chapéus Vermelhos
Em Ansenfall, deitar-se com um espírito de outro alinhamento é pecado capital, punível pelos Deuses com a Morte, pois engrandece o desequilíbrio do mundo. E, no entanto, nem mesmo no Mundo Espiritual, onde as Divindades estão mais presentes do que nunca, é possível impedir o amor. Que esse milagre exista, deve-se a eles: os Chapéus Vermelhos, a facção neutra dos mestiços espirituais, cupidos etéreos e cegonhas protetoras dos filhos do amor proibido.
Antes, os mestiços eram tratados como lixo. Independentemente das raças que os compunham, viviam como órfãos, pois seus pais eram assassinados assim que a relação proibida fosse comprovada. Isso é passado. Os Chapéus Vermelhos surgiram para proteger os casais proibidos e servir de cegonhas aos seus filhos, recolhendo os abandonados e blindando os amantes. No começo foram caçados como criminosos terríveis; mas, lentamente, conquistaram o respeito de figuras importantes, Astella e Arietta entre elas, que passaram a aceitar mestiços em suas cidades por causa deles, depois de constatarem que combatê-los era fútil.
A autoridade nomeada da facção no canone disponível é Devehn, Capitã de Logística e Invasão, voz de recrutamento que oferece aos mestiços renegados a única família que o mundo lhes negou.
Os Chapéus Vermelhos andam em grupos grandes e são duelistas extremamente habilidosos, mestres do florete e da balestra. Formam a única facção de Gloomhaven que aposta na pura perícia da esgrima e da pontaria, em vez de inclinar-se inteiramente para os recursos mágicos dos Deuses. Por isso, dizem, rezar é a única opção para os extremistas estacionais que os avistam, pois fugir não é possibilidade. Não andam pelas ruas: correm os telhados das casas, evitando ficar presos em comércios ou em perseguições de guardas. São perfeitos na arte da acrobacia e do parkour, a ponto de correr atrás deles ser tido por todos como um ato sem fundamento. Vestem-se com armaduras variadas, mas preferem equipamento leve, e trazem sempre a marca da facção: a capa vermelha de adornos dourados que lhes deu o nome e a fama.
A facção é neutra e tem acesso a quase todas as Cidades de Ansenfall, com exceção de Hudantel e Ghanliew. São um dos maiores problemas da Dinastia Lunar conduzida por Frostmoon e sua prima Gwynevere, que respondem diretamente aos Deuses Luminosos e aos Estelares. A própria Freja tentou amaldiçoá-los, e falhou: a energia que os cerca é, por razões misteriosas, forte demais. É como se a Árvore Espiritual estivesse, voluntariamente, protegendo-os, mesmo no estado debilitado em que hoje se encontra. Há, nessa proteção inexplicável, a sugestão de que o amor que eles defendem tem, ele próprio, um aliado cósmico.
Os Chapéus Vermelhos recusam o eixo da guerra. Não lutam pelo Outono nem pelo Inverno, pela Primavera nem pelo Verão: lutam pelos que o sistema sazonal proíbe de amar e de nascer. Sua neutralidade não é covardia, mas uma terceira causa: contra a própria lei que faz do amor entre alinhamentos um crime mortal. Numa guerra travada por estações e divindades, eles são os contrabandistas da ternura, a facção que mantém vivo, nos telhados de Gloomhaven, o que os Deuses ordenaram matar.