
Seja louvada a Mãe Espinhosa...
Seja louvada a Mãe Espinhosa...
"Louvado seja o deus dos espinhos, que detém as chaves do submundo e o poder do desespero. Que tua ira seja rápida sobre os fantoches do falso deus da ordem, que proferem mentiras e propagam falsidades. Que sejam eternamente lançados à desgraça." — Versículo 13:7 dos Cânticos de Draveneth, o Profeta Élfico das Trevas dos Espinhos
As Coroas Vermelhas são, à primeira vista, os prováveis antagonistas de Gloomhaven, a facção do Outono cujo propósito declarado é devastar e dominar todo o continente. Mas reduzi-las a conquistadores seria não ouvir o que cantam. Seu projeto é, antes de tudo, evangélico: espalhar os espinhos de sua divindade pelo resto do mundo, forçar uma nova era e, com ela, eliminar tudo o que divide e distingue. Avançam sob a bandeira carmesim para "espalhar o evangelho do deus espinhoso por todos os cantos da terra", para que "os fracos e insensatos tremam diante de nossa chegada" e os inimigos sejam "esmagados sob o peso de nossa gloriosa profanação". Não querem apenas vencer. Querem ser a única coisa que reste. A delas é a mais nítida das escatologias do reino: o apagamento da própria categoria.
A liturgia das Coroas Vermelhas é o texto religioso mais abertamente anti-Luminoso do corpus. O "deus dos espinhos" a quem se entregam é Setíferus, o Luminoso do Outono assassinado pelos próprios irmãos durante a Doença da Primavera; e os "fantoches do falso deus da ordem" contra quem clamam são as criaturas de Garador. Sua fé é uma fé de vingança divinizada.
A facção funda-se sobre um único e terrível sacramento. Setíferus, agonizando no abismo após ser traído pelos irmãos, beijou "a única Ser Espiritual proveniente dele que saberia seu nome". Através desse beijo, qualquer Ser Espiritual Espinhoso tornar-se-ia imune, e seria instantaneamente curado, da doença que devastava os galhos. A jovem que recebeu o beijo herdou dele a bênção, a imunidade e a missão; tornou-se a Mãe Espinhosa, e dela desce toda a autoridade das Coroas Vermelhas. A ascensão dela ao posto de Donzela do Destino foi dádiva divina, conferida na boca de um deus moribundo, nunca uma conquista política.
A líder atual e matriarca das Coroas Vermelhas é a Mãe Espinhosa, a Amante do Deus dos Espinhos, portadora dos espinhos, mãe amorosa de seu povo e algoz que abraça os desejos dos filhos por destruição. Sua aparência evoca as rosas de Gloomhaven, cujos espinhos não ofuscam a beleza das pétalas; sua coroa vermelha, ainda que espinhosa, realça os longos cabelos negros. Suas ordens descem ao reino transmitidas pelos Thornblood de alta patente, a família governante que é o rosto humano da matriarquia, e em cujas veias o poder dos espinhos corre como sangue.
São nativos das Províncias do Outono e erguem-se em torno da capital de Briarwatch, onde o poder dos espinhos pulsa no trono. O caminho até o coração de Briarwatch é áspero e infestado de espinhos, pois é ali que a matriarca exerce seu domínio.
As Coroas Vermelhas não são uma facção de sangue puro. Sua composição é deliberadamente cruzada:
Militarmente, são a vontade dos espinhos feita exército: os Cavaleiros dos Espinhos sitiando, queimando, propagando a doença sagrada.
As Coroas Vermelhas são a potência do Outono, o polo que move a Guerra das Estações por dentro, empurrando a estação dos espinhos contra a ordem luminosa e sazonal de Garador. Foram elas que tomaram Gloomhaven quando a décima terceira dinastia ruiu; foi contra elas que se ergueu a Resistência de Arietta no cerco de Fractária; e é a fé delas, não meramente sua espada, que torna o conflito irreconciliável. Onde as outras facções querem um lugar no mundo, as Coroas Vermelhas querem refundá-lo até que reste apenas o espinho.