
Vida longa à Rainha Arietta, a Amputada!
Vida longa à Rainha Arietta, a Amputada!
"Escutai! Ouvi bem, vós bravas almas, pois uma história de esperança e coragem, eu vou agora contar. Os Libertadores de Fractária, eles são chamados, com uma líder feroz e determinada, nunca deposta. Rainha Arietta, a Amputada, lidera essa nobre tropa, seu braço perdido para os Sentinelas, mas ainda de pé ela está. Diante da opressão, eles se levantam e resistem, contra o Deus da Ordem, eles não desistem. Pela liberdade de Fractária, eles lutarão, até o fim de seus dias, luz trarão." — Rondel, o Carismático
A Resistência é o farol de Gloomhaven: a facção que infunde esperança no peito do povo, nascida das cinzas da dinastia Fractariana caída e erguida em nome da liberdade e do direito sagrado à autodeterminação. Também conhecida pelo nome de batalha que a lenda lhe deu, os Libertadores de Fractária, ela não é uma criatura da noite nem uma confraria de conspiradores. Suas batalhas não se travam nas sombras, mas em campo aberto, sob a luz, para que todos possam ver de que lado cada alma decidiu ficar. São seres da primavera de carne e osso, e o que os move é o desejo simples e teimoso de viver livre da tirania, não a sede de poder nem a fome de conhecimento proibido.
Ainda assim, que ninguém confunda nobreza com fraqueza. A Resistência é uma força a ser reconhecida. Provou, repetidas vezes, que não teme lutar por aquilo em que acredita, mesmo diante de probabilidades avassaladoras, e sua determinação só é igualada por sua coragem. Tende coragem, pois, ó companheiros aventureiros: num mundo sombrio e implacável, eles estão prontos a lutar pela própria liberdade e pela de todos aqueles que chamam Gloomhaven de lar.
Nos dias mais sombrios de Fractária, a esperança não passava de um lampejo aceso no coração dos mais resilientes. O último rei da décima terceira dinastia havia tombado, e Gloomhaven fora entregue aos espinhos; as terras, despreparadas, teriam de engolir o destino terrível que lhes era imposto, ou ao menos era nisso que a Mãe Espinhosa confiava. Mas do caos ergueu-se uma resposta. Poucas horas depois de a linha de frente solar ruir, a filha do último Rei levantou um bastião ao redor do castelo de Fractária, reuniu todos os aptos a empunhar armas e os soldados que recusaram a deserção, e fincou os pés.
Por trinta longos meses o castelo foi sitiado pelos espinhos, que se valeram de táticas de terra arrasada e de toda sorte de feitiçaria para quebrar o espírito dos defensores. Os fractarianos não se renderam, e sua determinação crescia a cada dia que passava. Tamanha coragem não passou despercebida: as pequenas nações ao redor enxergaram o farol que ardia intensamente em Fractária e começaram a acorrer à sua causa. Gigantescos batalhões marcharam de todos os cantos da terra, somando-se aos defensores sitiados, e juntos resistiram às forças do Outono. Foi uma luta longa e brutal, mas, ao fim, a Resistência prevaleceu: a Mãe Espinhosa foi derrubada, a capital libertada de seu domínio, e a filha do último Rei emergiu do castelo, agora coroada Rainha Arietta, com seu único braço erguido em vitória. Daquele dia em diante, as nações que antes enfrentavam sozinhas a tirania do Outono tornaram-se uma só potência: os grandes libertadores de Fractária, cuja lenda ainda corre nos ventos de Gloomhaven.
A Resistência é liderada por Rainha Arietta, a Amputada (também dita a Decepada), Donzela do Destino da Prole da Primavera, escolhida de Anshatar, a Deusa da Primavera dos Galhos Altos, fundadora de Fractária e Mãe Suprema da linhagem. O braço perdido de Arietta, arrancado pelos Sentinelas, tornou-se o emblema vivo do preço da liberdade: a soberana que não se curva ainda que mutilada. Acima dela paira a própria Anshatar, que coordenou da fé as grandes investidas contra a muralha de Garador.
Os fundadores e o coração da facção são a Prole da Primavera; seus aliados primários, as Almas Estivais e os Trilhadonnos. A Resistência guerreia à luz do dia, em campo aberto e por bandeira hasteada, recusando a furtividade como recusa a tirania. Sob a batuta da Deusa da Primavera, lançou diversas investidas contra a muralha que aprisiona os galhos: a Investida de Trilhadonna, a Batalha dos Vaskarosk e o Cerco dos Aliskar. Todas falharam em romper o cerco de Garador, mas nenhuma falhou em manter acesa a chama.
A Resistência é o polo primaveril e luminoso da guerra: ergue-se contra a opressão dos Sentinelas e dos Cavaleiros dos Espinhos, contra o Deus da Ordem e contra o domínio do Outono. Houve, porém, uma virada amarga. Após a deserção de Anshatar, a Rainha Arietta decretou a independência da Resistência: a facção deveria cuidar apenas dos seus, forjar a própria economia e os próprios acordos, mesmo com antigas inimigas, e assumir que a Guerra das Estações havia, de fato, terminado, restando agora a tarefa mais nua de simplesmente sobreviver. Foi uma rendição estratégica, não uma capitulação do espírito. Pois mesmo então Anshatar prometeu a todos os primavérios que um dia os libertaria do confinamento terrível de Garador, e jurou aparecer no centro de Fractária a cada sétima lua para consolar seus filhos. A esperança, em Fractária, nunca foi um plano de batalha. Sempre foi uma promessa.