
Os Âncoras são os Filhos do Éter Sólido, tão raros quanto diamantes, abundantes apenas nas lendas heroicas e nas histórias que aquecem corações, proporcionando aos Seres Espirituais a sensação de que, mesmo no mais profundo abismo, existe uma tocha, por mais tênue que seja.
Os Âncoras são os Filhos do Éter Sólido, tão raros quanto diamantes, abundantes apenas nas lendas heroicas e nas histórias que aquecem corações, proporcionando aos Seres Espirituais a sensação de que, mesmo no mais profundo abismo, existe uma tocha, por mais tênue que seja. São os únicos Seres Corpóreos de todo o reino, e é exatamente isso que os separa de todos os demais habitantes de Gloomhaven, que são espirituais.
Seus corpos são compostos por uma matéria de textura amadeirada, e cada um deles possui uma garra gigantesca, de cor variável, que se inicia na junta do braço direito e se estende até o fim do membro. Essa garra cumpre duas funções sagradas: extrair a essência dos Espectérios e purificar os Seres Espirituais contaminados pela Doença das Estações, libertando-os da dor da existência selvagem.
Não possuem afinidade estacional, estelar ou abissal, pois não são Seres Espirituais, o que também significa que não podem ter filhos com os habitantes de Gloomhaven. São incapazes de respirar o ar espiritual do reino e, por isso, usam máscaras preenchidas com o sangue dos contaminados pela praga ou com a essência dos Espectros; é essa peculiaridade que os mantém vivos, reforçando a teoria de que foram criados especificamente para cuidar dos Seres Espirituais. Apesar da máscara, falam normalmente, embora costumem ser silenciosos. São os únicos seres capazes de matar as Bestas Estacionais, que normalmente são imortais, e toda vez que o Sangue Pestilento banha seus corpos, ele acaba absorvido pela garra gigante.
Há, em sua existência, uma tristeza profunda. Quando não conseguem salvar um Ser Espiritual, cometem suicídio e se transformam numa Âncora gigante que jamais pode ser removida da terra, costume que deu origem ao Cemitério das Âncoras, nas Florestas de Fractaria. E demonstram dor visível sempre que são forçados a testemunhar um Ser Espiritual tirando a própria vida.
A verdadeira origem dos Âncoras permanece um enigma, mesmo para os exploradores mais sagazes. Há, porém, informações consistentes: surgiram após a corrupção do primeiro Inflamado pela Doença das Estações, e um grupo deles foi avistado salvando um vilarejo logo após a doença se espalhar e provocar uma transformação terrível e irreversível. Parece, em suma, que o próprio mundo está tentando desesperadamente cicatrizar a ferida aberta deixada pelo desequilíbrio em Gloomhaven, e os Âncoras são essa cicatriz.
Não interferem nos conflitos de Gloomhaven, surgindo apenas para proteger os Seres Espirituais de situações "injustas", conforme a moral dos próprios Âncoras, do mais vil Coroa Vermelha ao mais nobre Alma Estival, jamais discriminaram, buscando apenas ajudar. São venerados em muitos vilarejos pobres como Guardiões enviados pelos Deuses, ainda que não estejam vinculados a divindade alguma, e seus fiéis usam colares ou pingentes com o formato da garra característica. Sua cidade é Ythram.
Sua Donzela do Destino é a Lady Arteras, a Primeira Âncora, Representante Cinzenta dos Âncoras, a única mulher a conquistar o título por plebiscito, e não por nomeação divina. Carrega o sobrenome de família Lisden e tem quatro filhos, todos Âncoras. Por razões desconhecidas, os Âncoras não mantêm boa relação com a maioria das Donzelas do Destino. De Ythram surgiu também um subgrupo de Âncoras masculinos, os Mergulhadores do Éter Sólido, contratados por Lady Arteras para combater os Desperdícios Pestilentos e os Modeladores das Profundezas que invadiam os sonhos dos Seres Espirituais, místicos que lutam à noite para que os espíritos durmam em paz, curiosamente sem usar máscara nem demonstrar respirar nos territórios espirituais.
São os Filhos do Éter Sólido, corpóreos amadeirados, sem afinidade estacional. Existem à margem de toda a teologia do reino: não servem a deus algum, não tomam lado em guerra alguma, e mesmo assim se sacrificam, um a um, para que a dor dos espíritos tenha fim. São a prova de que, num mundo que adoece, ainda há quem exista apenas para curar.
E há, no fundo dessa vocação, uma crueldade que nem os próprios Âncoras ousam confessar: eles respiram o sangue da praga que combatem. As máscaras que os mantêm vivos transbordam da própria doença que existem para findar, de modo que um mundo curado os sufocaria. Cada espírito que salvam é um passo a mais rumo ao dia em que não restará dor alguma para inspirar. São os únicos seres de Gloomhaven cuja bondade é também a sua sentença: curam até deixarem de respirar.