
Os Catatônicos são Ecos que não tiveram a oportunidade de amadurecer.
Os Catatônicos são Ecos que não tiveram a oportunidade de amadurecer. Em vez de seguirem o caminho natural, foram enviados às raízes abissais para servir de alimento à Árvore Espiritual; e, contrariando todas as expectativas, sobreviveram ao sifão.
Seus olhos são tomados pelo roxo da doença, e eles podem caminhar livremente por todas as áreas contaminadas. As Bestas das Estações os ignoram e, em certos casos, até os protegem. São imunes a veneno, vazio, escuridão e sangramento, e, desde que não sejam executados por um ataque da Ordem, podem se levantar quantas vezes quiserem e continuar lutando, indefinidamente. Mas há uma corrente que os prende: não podem ficar muito tempo longe da Área Cinzenta, pois precisam dela para sobreviver, e o limite é de sete dias. Os Catatônicos não podem ter filhos.
A maioria mantém ótima relação com os Âncoras e costuma doar-lhes sangue pútrido para mantê-los vivos fora da Área Cinzenta: uma simbiose silenciosa entre dois povos marcados pela mesma ferida do reino. Em contrapartida, suas lutas contra os Mensageiros Alados da Morte são constantes, pois encarnam lados opostos da relação com a morte: os Mensageiros querem que o ciclo siga, e os Catatônicos são justamente os que se recusaram a ser consumidos por ele.
Quando o desequilíbrio do outono completou seu primeiro século e os campos de batalha começaram a rarear, a instabilidade tomou a forma de uma aura quase transparente, que tingia tudo de cinza e trazia consigo a imortalidade e a decadência. Todo o mundo espiritual, composto pelos galhos da Grande Árvore, foi adoecendo, e os Deuses se negaram a agir.
Tomadas por uma fome insaciável, impulsionadas pela esperança vã de salvar a base que sustentaram por tanto tempo, as raízes da Árvore abandonaram seu papel de intermédio entre a vida e a morte. A Árvore passou a se alimentar das almas em vez de encaminhá-las para o além, para sobreviver e preservar o mundo externo. Quando essas almas foram devoradas e encontraram as raízes para servir de combustível, chocaram-se com a aura cinzenta, que lhes concedeu uma imortalidade profana. Essa é a origem dos Catatônicos: tiveram aparência, corpo e alma ceifados pela Árvore, numa tentativa dela de manter o mundo externo seguro.
Ergueram-se arrancando do próprio corpo as raízes parasíticas para vagar pela terra e proteger a única coisa que os mantém vivos, a Aura Cinzenta, também chamada de Doença das Estações. Vagam num limbo de sofrimento e agonia, aprisionados por uma existência que jamais deveriam ter conhecido.
Figuram entre os Desperdícios Pestilentos, vítimas da Doença das Estações, ao lado dos Inflamados e dos Espectérios. Mas sua posição é especialmente trágica e reveladora: são a evidência viva de que a Árvore Espiritual está desesperadamente cicatrizando a própria ferida, criando criaturas que protegem a doença em vez de combatê-la, porque a doença é o sistema imunológico improvisado da Árvore. Servem, assim, como um lembrete sombrio das consequências das escolhas desastrosas dos Deuses.